Europa: Um Continente Grande, Liderado por Gente Pequena

Linder

Malundo Kudiqueba

Os palcos europeus, onde outrora se ouviram vozes firmes como Churchill, De Gaulle, Mitterrand ou até Merkel, hoje estão vazios de gigantes. Sobram gestores de gabinete, repetidores de discursos americanos e homens e mulheres que hesitam diante dos grandes desafios, mas correm para as fotografias de grupo.

A Europa perdeu a alma e, pior, perdeu a bússola. Em vez de liderar, segue. Em vez de pensar, copia. Em vez de decidir, obedece. A União Europeia é hoje um comboio sem maquinista, puxado pelo motor americano. E quando os Estados Unidos decidem virar para o precipício, a Europa não apenas segue — aplaude.

É isso que estamos a viver: um continente historicamente independente, agora refém das decisões de Washington. Se amanhã os Estados Unidos disserem que o céu é verde, haverá líderes europeus a preparar discursos a confirmar a mudança da cor.

Quem são hoje os líderes de referência na Europa? Quem é capaz de levantar a voz contra os interesses norte-americanos quando estes colidem com os interesses europeus? Quem tem coragem de dizer: “Aqui não. Aqui decidimos nós”?

O que temos é uma União Europeia cada vez mais burocrática e cada vez menos estratégica. A Europa tornou-se um continente que não ousa dizer “não”, mesmo quando tudo grita “basta!”.

  • A Europa é grande no mapa, mas pequena na liderança.
  • A Europa perdeu o seu peso moral e segue, muitas vezes, cegamente os erros alheios.
  • A Europa prefere ser simpática aos olhos de Washington do que ser firme na defesa dos seus próprios povos.
  • A Europa já não lidera. A Europa já não inspira. A Europa já não comanda. A Europa assina em baixo.

Hoje, a Europa vive na sombra de uma superpotência que não hesita em colocar os seus interesses acima de tudo. E a Europa, resignada, vive de aplausos tímidos e decisões importadas. O que foi feito da Europa que um dia marcou o rumo da história mundial?

Não basta ser um grande continente. É preciso ter líderes à altura. Sem eles, a Europa será sempre o eco dos outros.

Manchester, 20 de Junho de 2025

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