Ibrahim Traoré é Nosso Irmão

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Malundo Kudiqueba

Ibrahim Traoré representa uma nova geração de líderes africanos que recusam o eterno papel de marionetas coloniais. É um homem que, com apenas 34 anos, teve a coragem de desafiar os velhos modelos, de colocar o seu povo no centro das decisões e de levantar a bandeira da soberania nacional acima dos interesses estrangeiros. Isso, por si só, deveria merecer o respeito dos seus irmãos africanos.

Por que razão Angola parece mais predisposta a criticar Traoré do que, por exemplo, Paul Kagame, cuja governação, apesar dos méritos, é frequentemente apontada como autoritária? Por que razão mantemos silêncio sobre outros regimes com práticas questionáveis, mas apressamo-nos a criticar líderes que ousam desafiar as ex-potências coloniais?

Confio no Ministro Téte António

Sei que Angola é um país que tem caminhado para uma diplomacia cada vez mais madura. Confio que o Ministro das Relações Exteriores, Téte António, saberá interpretar este momento histórico com equilíbrio. A ida de Angola ao Burkina Faso deve ser para construir pontes, não para fazer o jogo de Paris ou Bruxelas. Espero sinceramente que Angola não tenha agido a mando de França. O continente já viu demais destas interferências mascaradas de boa vizinhança.

A nossa diplomacia deve estar ao serviço dos interesses africanos, não como braço estendido de potências que historicamente dividiram, exploraram e enfraqueceram o continente.

África Deve Falar com África

Governantes africanos: este é o momento de reaprender. A verdadeira independência começa quando deixamos de olhar para fora em busca de aprovação e começamos a resolver os nossos conflitos com diálogo entre irmãos. Criticar Traoré enquanto bajulamos outros regimes demonstra incoerência e uma perigosa seletividade política.

Se há algo a criticar, façamo-lo no espírito de irmãos que se corrigem mutuamente, não como representantes de interesses alheios. Façamos política de solidariedade africana, e não de vigilância neocolonial.

Construir Pontes, Não Muros

É tempo de mudar. É tempo de valorizar quem procura caminhos africanos para problemas africanos. O povo do Burkina Faso tem direito a definir o seu destino. O papel dos outros países africanos deve ser de apoio construtivo, de cooperação, de diálogo sincero. Precisamos de construir uma diplomacia de pontes, não de muros, nem de corredores secretos com Paris.

Que Angola possa liderar este exemplo, abrindo as portas para uma nova forma de fazer política no continente: uma política de irmãos, não de peões.

Ibrahim Traoré é nosso irmão. O Burkina Faso é nossa casa. O futuro de África é entre nós.

Birmingham, 18 de Junho 2025.

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