Malundo Kudiqueba
Aqui vai uma verdade inadiável: não se muda a casa jogando pelas regras do dono da casa. lutar dentro das instituições é, na prática, legitimar as políticas do governo que fingimos combater.
A luta institucional revelou-se um fracasso monumental. Entrámos para jogar um jogo onde as regras já estavam escritas para nos derrotar. Enquanto lutávamos para ganhar espaço no sistema, o sistema usava-nos para ganhar tempo. Fomos peças úteis num tabuleiro que já estava montado para nos engolir.
O discurso da luta institucional foi uma conversa de mau gosto que serviu para adormecer consciências e neutralizar os mais rebeldes.
A cada tentativa de mudança dentro do sistema, o sistema adaptou-se, sobreviveu e, no final, venceu. O sistema é um mestre em absorver os seus opositores e em transformar revolucionários em funcionários obedientes. O que era para ser uma luta virou um cargo.
Não há vitórias dentro de um jogo desenhado para te manter a perder. É preciso derrubar as paredes, não apenas tentar mudar a cor da pintura.
Hoje, depois de anos de ilusões e promessas vazias, somos mais uma vez vindicados. A luta institucional não nos salvou, não nos empoderou, não nos representou. O que conquistámos foi o direito de dizer, com toda a certeza: não é aí que está a solução.
A luta real nunca esteve nas instituições — a luta está na rua, na consciência crítica, na recusa activa de legitimar o que já sabemos que é estruturalmente podre. O que falhou não fomos nós. O que falhou foi acreditar que era possível vencer jogando por dentro de um sistema que foi desenhado para nos domesticar.
Birmingham, 17 de Junho de 2025
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