Sou responsável por aquilo que digo, mas não posso ser culpabilizado pelas interpretações que cada um escolhe fazer.

João lourenço bandeira

Malundo Kudiqueba

Uma sala de aula prova isto todos os dias: o professor explica, mas nem todos os alunos entendem da mesma forma. Uns captam a essência, outros agarram-se aos detalhes. O mesmo acontece no espaço público: um discurso pode ser claro, mas será sempre lido através dos filtros individuais de quem ouve.

Foi o que aconteceu com a entrevista do Presidente João Lourenço. O que para uns foi uma mensagem de Estado, para outros soou como arrogância. O que para alguns foi uma demonstração de liderança, para outros foi simplesmente um erro de comunicação. Não é o Presidente que muda — é o ouvido de quem escuta que transforma.

Ninguém tem o monopólio da interpretação. A palavra é livre, mas também é livre a forma como cada um a digere. Isso não pode ser colocado aos ombros de quem fala com responsabilidade.

Num país onde as palavras viajam mais depressa do que as ideias, é preciso lembrar: o facto de muitos interpretarem mal não transforma quem fala em culpado. Ser mal interpretado não é crime. Crime é não querer entender.

Num mar de opiniões, nem sempre o barulho é sinal de tempestade. Às vezes é só o som das muitas vozes a competir por atenção.

O poder da palavra é grande, mas a confusão que cada um faz com ela também é.

Ser responsável pelo que digo não me obriga a carregar o peso de tudo o que cada um escolhe ouvir.

No fim, a responsabilidade da interpretação também pertence a quem escuta. Quem ouve com atenção, entende. Quem ouve para atacar, distorce.

Birmingham, 16 de Junho de 2025.

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