Malundo Kudiqueba
Desde que João Lourenço assumiu a presidência de Angola, em 2017, assistimos a um fenómeno preocupante: a sua imagem foi sucessivamente atacada, desconstruída e, em muitos casos, deliberadamente destruída, enquanto o MPLA, o partido que o sustenta, pouco ou nada fez para protegê-lo no espaço público.
O presidente João Lourenço tem hoje uma imagem fortemente desgastada, não apenas pelos erros próprios de governação, mas, sobretudo, porque foi vítima de uma das campanhas de descredibilização mais agressivas que Angola já conheceu, especialmente no campo das redes sociais. Trata-se de um ataque contínuo, levado a cabo por indivíduos e grupos que, ao que tudo indica, têm como única função criticá-lo, atacá-lo e desvalorizá-lo. E a verdade é que alguns destes fazem-no com salário garantido, pagos apenas para o destruir.
É preciso reconhecer: muitas das críticas que se fazem ao presidente são legítimas. Os problemas de gestão, a continuidade de práticas pouco transparentes, a degradação das condições sociais — tudo isso é real. Mas a forma como essas críticas são conduzidas, de modo sistemático, diário e organizado, cria um ambiente de demonização onde se tenta passar a ideia simplista de que Angola só começou a deteriorar-se a partir de 2017, como se os 42 anos anteriores fossem irrelevantes ou até exemplares.
Este é o grande erro da narrativa dominante: absolveu-se, nas redes sociais, os responsáveis dos últimos 30 anos, como se nunca tivessem existido, e concentrou-se toda a culpa num só homem: João Lourenço. Hoje, ele é retratado como a origem e o fim de todos os males em Angola. Segundo esta visão, basta a sua saída para que Angola se transforme, no dia seguinte, no melhor país de África. O mais grave? O povo está a começar a acreditar nesta ilusão.
Há outro ponto crucial: quando circulam nas redes sociais boatos sobre supostas intenções do presidente de fazer mal a este ou aquele, ninguém o defende publicamente. O silêncio da sua própria equipa de comunicação contribui para reforçar a ideia de que “quem cala consente”. E quando o povo não vê desmentidos regulares, assume como verdade tudo o que é dito.
A verdade é que a equipa de João Lourenço não precisava — nem precisa — de responder todos os dias. Mas, no mínimo, deveria, pelo menos uma ou duas vezes por mês, desmontar publicamente as mentiras, esclarecer os factos e reposicionar a narrativa. É perigoso deixar crescer a ideia de que tudo o que se diz contra ele é verdade só porque não há resposta.
As redes sociais foram o campo de batalha onde a imagem de João Lourenço foi destruída. E este cenário serve como um alerta sério para outros actores políticos como Abel Chivukuvuku: não cometam o mesmo erro. O combate político nas redes sociais não pode ser subestimado. Uma crítica aqui e ali faz parte do jogo democrático. Mas quando as críticas são coordenadas, diárias e estrategicamente calculadas, deixam marcas profundas e cicatrizes que dificilmente se apagam.
O problema de João Lourenço não foi apenas a governação — foi também a total falta de defesa da sua própria imagem. E Angola, infelizmente, ainda não aprendeu a separar o que é crítica construtiva do que é campanha de destruição pessoal.
Hoje, as redes sociais tornaram-se o principal campo de batalha da narrativa política em Angola. São mais rápidas, mais eficientes e com um alcance muito superior ao das televisões e rádios controladas pelo MPLA.
Enquanto os órgãos de comunicação tradicional ainda tentam enquadrar a realidade dentro dos limites do discurso oficial, as redes sociais já avançaram, já difundiram, já convenceram. A velocidade da internet supera largamente a burocracia e o controlo estatal. É nas redes que a opinião pública se forma, é lá que os debates reais acontecem e é lá que as reputações políticas se constroem ou se destroem em tempo recorde. Quem hoje ignora as redes sociais, ou não investe seriamente numa estratégia de comunicação digital eficaz, está a perder o país na batalha da narrativa.
Birmingham, 15 de Junho de 2025.
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