Políticos: Mestres do Desvio (de Conversa)
Carla Alexandra
Em Portugal, a política é uma arte. Mas não é arte moderna. É arte de iludir, de prometer e, sobretudo, de nunca responder diretamente a nada.
O Início da Conversa: “Vamos Fazer Tudo o Que Estiver ao Nosso Alcance.”
Tradução: Vamos fazer o que der menos trabalho, parecer que estamos a fazer muito, e se não der certo… foi o sistema.
Os políticos portugueses são como maestros de orquestra, mas a orquestra está sempre desafinada e os instrumentos nunca chegam a tempo.
Eles aparecem com sorrisos ensaiados e frases tão redondas que podiam ser usadas numa rotunda.
Clássico:
“Estamos a trabalhar para melhorar.”
Melhorar o quê? Quando? Como?
Eles nunca dizem.
O “melhorar” é uma terra distante onde ninguém chega.
O Desaparecimento Misterioso
Há um fenómeno fascinante: os políticos portugueses desaparecem milagrosamente quando o país precisa deles.
Chove? Inundações? Greves? O político está… indisponível.
Só reaparece no dia das inaugurações, com a tesoura na mão para cortar a fita.
Se Portugal fosse um reality show, eles ganhavam o troféu de “Melhor Estratégia de Fuga.”
A Ciência do Desvio de Conversa
Perguntas a um político:
“Como vão resolver o problema da habitação?”
Resposta:
“O tema da habitação é muito importante. Aliás, Portugal tem feito um caminho extraordinário nos últimos anos. Vejamos o caso do turismo, que tem crescido imenso e é reflexo da nossa estabilidade económica.”
Tradução: Não respondeu. E se responder, já mudou de assunto.
Eles são especialistas em transformar perguntas simples em excursões de palavras que não vão a lado nenhum.
As Comissões de Inquérito: O Netflix da Política
Nada acontece sem uma comissão de inquérito.
É o passatempo favorito. Monta-se uma comissão, discute-se durante meses, cria-se um relatório que ninguém lê… e depois? Depois é como o fim de uma série sem final:
“Ficou por resolver.”
Mas calma, porque já vem outra comissão a caminho. Há sempre uma nova temporada.
O Fenómeno do “Não Sabia”
Quando as coisas correm mal, surge a frase mágica:
“Não tinha conhecimento dos factos.”
É uma praga nacional. Parece que os políticos vivem todos numa bolha sem internet, sem rádio e sem jornais.
O país inteiro sabe, mas eles não. É uma inocência tão comovente que mereciam um Globo de Ouro.
Conclusão: Os Políticos e o GPS Avariado
Em Portugal, os políticos são como GPS avariados.
Prometem que te vão levar a bom porto, mas de repente estás a dar voltas na rotunda há quatro anos.
A frase que melhor define a política portuguesa?
“Vamos estudar o problema.”
Tradução realista:
“Vamos arrastar isto até as pessoas se cansarem de reclamar.”
Mas nós, portugueses, não desistimos. Somos pacientes, mas atentos.
E, pelo menos, ainda conseguimos rir-nos enquanto esperamos pela próxima promessa.
Este post já foi lido 1822 vezes.
