Malundo Kudiqueba
Portugal é aquele país onde o tempo anda devagar, mas os radares multam depressa. Onde as filas nunca andam, mas toda a gente tem pressa… de ficar parado.
O português é tão pacífico que o desporto nacional devia ser “passivismo competitivo”: quem consegue esperar mais tempo sem reclamar, ganha.
Aliás, Portugal é provavelmente o único país do mundo onde um português, ao ouvir “só mais cinco minutos”, responde:
“Ah, então está quase!”
Mesmo que o “quase” seja meia hora.
Os portugueses não confiam em nada nem ninguém, excepto em três coisas:
- O café está sempre bom.
- Vai chover, mesmo que digam que não.
- Vai haver obras na estrada. Sempre.
E têm um talento especial:
São especialistas em não saber nada com certeza, mas ter sempre opinião.
- “Achas que o Benfica vai ser campeão?”
- “Epá, não sei, mas acho que sim, ou talvez não.”
Em Portugal há também um GPS invisível:
- Dizemos “Vira ali”,
- Depois “Vais sempre em frente”,
- E se a pessoa se perder? “É porque não és daqui.”
A gastronomia? Perfeita! Mas com um pequeno detalhe:
Em Portugal, comer sem pão é como ir à missa e não dizer “Amen”.
Pão com tudo: com sopa, com carne, com peixe e, se deixarem, com arroz doce.
E nunca se esqueça:
Se um português diz “passa cá em casa para um café”, não é para passar. É um convite simbólico. Mas se você aparecer mesmo… vai levar um taparuére com rissóis e ainda um pacote de açúcar para o caminho.
Portugal é assim:
Pequeno no mapa, gigante no coração.
Um país onde conseguimos viver entre o “desenrascanço” e a arte de adiar até ao infinito… mas sempre com um sorriso e uma piada pronta.
Birmingham, 11 de Junho de 2025.
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