Muitos angolanos ainda acreditam que criticar e insultar pessoas nas redes sociais vai, de alguma forma, resolver os seus próprios problemas ou melhorar as suas vidas. Puro engano: atacar os outros não constrói o nosso caminho. Vejo muitos “juízes de redes sociais”, alguns deles jornalistas, que não hesitam em decretar sentenças sumárias sobre a forma como o Ernesto conduziu a entrevista. A falta de empatia e de compreensão do contexto é assustadora.
Malundo Kudiqueba
Pergunto-me: que alternativa realista vocês teriam apresentado? Será que alguém que hoje critica ferozmente faria melhor? Duvido muito.
A recente entrevista conduzida pelo jornalista Ernesto Bartolomeu ao Presidente da República, João Lourenço, tem sido alvo de críticas intensas nas redes sociais e até por colegas jornalistas. O que é, porém, verdadeiramente surpreendente e lamentável, é o grau de superficialidade e ignorância com que muitos desses críticos abordam o tema.
Criticar um jornalista por conduzir uma entrevista, quando não se sabe metade do que ele sabe, nem se está minimamente familiarizado com as condicionantes do seu trabalho, é não só injusto como ridículo.
Mais do que apontar erros ou lapsos, o que se deveria exigir, e com justiça, é um debate maduro, que compreenda as nuances de uma entrevista presidencial. O objectivo não é colocar o Presidente em dificuldades, mas buscar respostas claras e transparentes para a população. E isso, às vezes, requer paciência, técnica e, acima de tudo, estratégia.
Para aqueles que lançam críticas fáceis, muitas vezes movidas por interesses políticos ou paixões pessoais, sugiro a seguinte reflexão. Será que no lugar dele teriam feito melhor? Sejam honestos ao responder esta pergunta.
Portanto, em vez de insultar ou ridicularizar, proponho que elevemos o debate. Que valorizemos o trabalho feito e que cobremos, sempre, mais qualidade, mas com respeito e consciência das dificuldades.
Porque quem trabalha na comunicação sabe: a verdade é rara, a coragem é essencial, e a crítica sem fundamento é apenas um ruído vazio.
Birmingham, 11 de Junho de 2025.
Este post já foi lido 839 vezes.
