Malundo Kudiqueba
- Ataque os seus aliados e ignore o verdadeiro adversário.
Transforme os seus parceiros em inimigos. Assim, o adversário agradece e avança tranquilo. - Prometa o impossível e não tenha planos concretos.
Fale muito, mas não entregue nada. O povo quer ação, não palavras vazias. - Evite debates e confrontos públicos de ideias.
Se o adversário não aparece, finja que também não existe. Fuja do debate e fuja da oportunidade. - Divida a sua base com conflitos internos públicos.
Deixe que as desavenças entre líderes e militantes se tornem públicas, mostrando fragilidade. - Ignore as reais necessidades do povo.
Foque-se em disputas de poder internas em vez de resolver problemas reais do cidadão comum. - Minta ou prometa coisas que sabe que não pode cumprir.
A credibilidade se perde na primeira promessa quebrada. - Reaja sempre ao invés de ser proactivo.
Espere os movimentos do adversário para só depois agir. Quem reage perde a iniciativa. - Use discurso agressivo e inflamado em vez de diálogo construtivo.
Atacar sem construir divide o eleitorado e afasta quem busca soluções. - Ignore o poder das redes sociais e comunicação eficaz.
Não se adapte às novas formas de comunicação e fique preso a velhas práticas. - Despreze a unidade e o trabalho em equipa dentro da oposição.
Individualismos e vaidades levam à fragmentação e a uma derrota certa.
A oposição não precisa de sabotagem externa. Está a sabotar-se sozinha com uma eficiência assustadora. Quando a oposição transforma os seus próprios parceiros em inimigos públicos, o poder agradece. Brigar entre si é oferecer a vitória de bandeja ao adversário. “Quem perde tempo a destruir aliados, nunca terá tempo para construir vitórias.” O povo observa: Se eles não se entendem agora, como vão governar juntos amanhã? A oposição deve disputar ideias em todas as arenas. Deve ser proactiva, não reactiva. Recusar debates só porque o adversário não participa é um presente para o sistema.
Debater é formar o eleitor. É construir confiança. É mostrar maturidade. Quando a oposição gasta mais tempo a lavar roupa suja em público do que a apresentar soluções para o país, o povo desliga-se. O povo não quer saber das vossas mágoas, quer saber das suas soluções. O MPLA não precisa de dividir a oposição — a oposição está a fazer isso sozinha, com brigas de egos, ataques pessoais e discursos infantis. O povo começa a pensar: Se na oposição eles se destroem, no governo vão se matar. Mentir na oposição é a forma mais rápida de perder credibilidade.
Quando a oposição promete o que sabe que não pode cumprir, está a preparar o terreno para a sua própria desgraça. Quem mente na oposição, nunca terá moral para governar com verdade. Ganhar a confiança do povo exige consistência. As palavras devem resistir ao tempo, ao poder e ao escrutínio. O MPLA pode continuar a errar, a falhar e a frustrar o povo. Mas se a oposição continuar a seguir este manual prático de derrota, 2027 será mais fácil para o partido no poder do que 2022.
A luta política não se ganha com birras, nem com ataques internos, nem com fugas de responsabilidade.
Ganha-se com visão, unidade, estratégia e compromisso com o povo. Uma oposição dividida é como um exército sem comandante: já perdeu antes de começar a batalha. Se a oposição quer mudar Angola, tem de começar por mudar a si mesma.
Quem não aprender isto a tempo, vai continuar a disputar eleições para manter o MPLA no poder — sem que o MPLA precise de fazer muito esforço.
Birmingham, 09 de Junho de 2025.
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