Malundo Kudiqueba
Num gesto de aproximação raro e necessário, a vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, protagonizou esta quinta-feira, em Lisboa, um dos momentos mais significativos do relacionamento entre Angola e a sua vasta e diversa diáspora residente em Portugal. A sua visita, longe de ser apenas uma deslocação formal, foi uma oportunidade para ouvir, dialogar e sentir as inquietações reais dos angolanos que vivem fora do país, mas que mantêm com ele laços profundos e indestrutíveis.
Ao reunir-se com líderes de movimentos associativos, representantes da sociedade civil, entidades eclesiásticas e estruturas partidárias do MPLA em Portugal, Mara Quiosa deu um sinal claro: Angola não pode continuar a olhar para os seus filhos da diáspora como meros emigrantes, mas sim como parte activa e estratégica da sua reconstrução nacional.
A manhã foi marcada por audiências produtivas, onde temas como a legalização de documentos, o alto custo das propinas para estudantes angolanos e a inserção social e económica dos cidadãos foram trazidos à mesa com frontalidade e espírito construtivo. Ayrton Pahula, presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal, classificou o encontro como “muito positivo”, sublinhando que a oportunidade de expressar, directamente, as preocupações da juventude estudantil foi um passo importante para soluções futuras.
Já Vivaldo Silva, coordenador da Associação de Jovens Empresários Angolanos em Portugal, destacou a relevância de ver reconhecida a preocupação do governo com os empreendedores da diáspora — um sinal de que o país começa, finalmente, a olhar para o potencial económico e inovador dos seus cidadãos no exterior.
Mas a visita não se limitou à escuta. Ao reunir-se com as estruturas do MPLA em Portugal, Mara Quiosa reafirmou o seu compromisso com o fortalecimento do partido na diáspora, promovendo um contacto directo e avaliando o estado organizativo das bases. A presença de figuras importantes como Manuel Augusto, Gonçalves Muandumba e João de Almeida “Jú Martins” reforçou o carácter estratégico da missão.
Este tipo de diplomacia de proximidade merece destaque e elogio. Num tempo em que muitos políticos angolanos limitam a sua actuação a declarações no conforto de Luanda, Mara Quiosa saiu, ouviu e agiu. A política com rosto humano, com escuta activa e diálogo honesto, não é apenas desejável — é urgente.
Que esta visita sirva de exemplo a outros dirigentes e inspire uma nova era de relação com a diáspora. Porque os angolanos em Portugal — sejam estudantes, empresários ou trabalhadores — continuam a amar e a querer servir o seu país. Basta que Angola os escute. E Mara Quiosa, nesta visita, escutou.
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