Turismo em Bolsa – Uma Aposta Necessária

Cristina lourenço

Malundo Kudiqueba

Num país com um potencial turístico ainda largamente por explorar — das paisagens naturais de cortar a respiração ao património cultural singular — a entrada do turismo no radar do mercado de capitais é uma decisão tão estratégica quanto simbólica. Não se trata apenas de captar financiamento. Trata-se de sinalizar ao mundo que Angola está aberta a negócios sustentáveis, orientados para o desenvolvimento e guiados por princípios de responsabilidade económica e social.

A proposta apresentada em Lisboa, durante o fórum Doing Business Angola 2025, sublinha também uma viragem na diplomacia económica: Angola não se limita a atrair investidores pela via governamental ou através da retórica da reconstrução pós-conflito. Pretende agora conquistar a confiança dos mercados, com instrumentos financeiros sólidos, sob regulação clara e previsível.

Contudo, o sucesso desta iniciativa dependerá de vários factores. Em primeiro lugar, da capacidade do Estado – através do Ministério do Turismo – de identificar e apoiar projectos turísticos viáveis, com impacto real nas comunidades locais. Em segundo lugar, da habilidade dos intermediários financeiros em estruturar produtos que atraiam tanto investidores institucionais como particulares, com retorno equilibrado entre risco e rendimento. E, sobretudo, da confiança dos investidores na estabilidade e seriedade das regras do jogo.

É louvável que a BODIVA esteja a posicionar-se como uma plataforma estratégica para o financiamento da economia. Mas isso exige não só criatividade financeira, como também rigor técnico, ética institucional e uma cultura de transparência — ainda incipiente em muitos sectores públicos e privados do país.

Se bem conduzida, a emissão de obrigações no sector do turismo poderá marcar o início de uma nova era: onde o capital serve não apenas para gerar lucro, mas também para criar empregos, proteger o ambiente e reforçar a coesão social. Em suma, um turismo financiado com responsabilidade poderá ser uma das chaves para desbloquear o desenvolvimento sustentável de Angola.

Neste momento em que o país procura reconfigurar o seu modelo económico, a BODIVA lança uma proposta corajosa. Cabe agora aos agentes económicos e políticos estarem à altura do desafio. Porque o futuro de Angola, tal como o turismo que queremos promover, não pode continuar a viver apenas do improviso.

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