A inveja está institucionalizada em Angola.

Luanda

Malundo Kudiqueba

Não aparece em relatórios da OMS, nem exige quarentena sanitária. Mas está em todo lado: nas repartições públicas, nas universidades, nos partidos políticos, nos bairros e até nas igrejas. É silenciosa, mas corrosiva. Disfarça-se de crítica construtiva, mas vem armada de má intenção. A inveja é o vírus social mais letal de Angola. E, infelizmente, é endémico.

“Em Angola, muitos preferem ver o outro cair do que subir com ele.”

A inveja angolana não é apenas individual. Ela é estrutural. Há uma cultura instalada que não celebra o mérito, mas desconfia dele. Quem se destaca é logo acusado de ter “padrinho”, “cama feita” ou de estar “feito com o sistema”. O talento virou suspeita. O sucesso virou pecado. E o esforço virou ingenuidade.

“Num país onde brilhar é ofensa, muitos escolhem apagar-se para sobreviver.”

Quantas iniciativas morrem por falta de apoio — não porque são más, mas porque foram pensadas por alguém que não pertence ao círculo certo? Quantos jovens com ideias brilhantes são boicotados por chefes que temem ser ofuscados? Quantos empreendedores são combatidos por colegas que, em vez de inspiração, sentem ressentimento?

A inveja em Angola não se limita a querer o que o outro tem. É pior: é desejar que o outro não tenha. É sabotar. É minar. É sorrir em público e conspirar nos bastidores. E isso trava o desenvolvimento como nenhuma outra crise.

“Angola não é pobre em recursos. É rica em ressentimento.”

Enquanto a inveja for norma social, nenhuma reforma política ou económica terá sucesso duradouro. Porque a inveja ataca onde mais dói: na confiança, na colaboração, na esperança de que vale a pena fazer diferente.

É urgente falar disto. É urgente criar uma nova cultura, onde o sucesso alheio seja inspiração e não ameaça. Onde as vitórias de uns sejam celebradas como portas abertas para outros. Onde brilhar não seja crime, e crescer não signifique trair.

“O futuro de Angola depende da coragem de alguns em brilhar mesmo que isso irrite os que vivem na sombra.”

A verdadeira revolução de Angola não virá dos palácios, mas das mentalidades. E isso começa quando entendermos que apoiar o outro não nos diminui. Pelo contrário, eleva-nos. Porque um país onde todos puxam para baixo está condenado a rastejar.

É tempo de curar a inveja. Não com remédios, mas com uma vacina chamada respeito pelo mérito, pela diferença e pela coragem de fazer melhor.

“A inveja é o imposto que os medíocres cobram aos que ousam ser diferentes.”

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