Parlamentares da CPLP preparam plenária para Julho em Moçambique: promessa ou rotina?

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O tema escolhido para o encontro, «Pela Paz e Cidadania na CPLP», pretende focar-se na “Promoção da Paz, Desenvolvimento e Boa Governação na CPLP”. Termos que, à primeira vista, soam bem — quase como um roteiro padrão para qualquer reunião política de âmbito regional. Mas a pergunta que fica no ar é: será que esta plenária trará mudanças reais ou será mais uma repetição de palavras vazias?

Do ponto de vista sociológico, a CPLP continua a ser um espaço onde as aspirações dos povos lusófonos são discutidas à sombra dos interesses políticos e diplomáticos dos seus governos. Angola, Moçambique, Portugal, Brasil, entre outros, trazem para a mesa suas complexidades internas, muitas vezes marcadas por desigualdades, conflitos locais e crises económicas. A retórica de “paz” e “boa governação” é bem-vinda, mas a distância entre o discurso e a prática ainda é enorme.

No caso de Angola, que tem vivido intensos desafios políticos, sociais e económicos, a participação nesta plenária poderia ser uma oportunidade para expor questões estruturais que afetam a cidadania e o desenvolvimento. Contudo, quando figuras políticas dominantes repetem as mesmas mensagens, sem compromisso visível com reformas profundas, fica a dúvida: até que ponto estas reuniões servem para algo mais do que formalidade diplomática?

É preciso que os deputados e líderes dos países da CPLP tenham coragem para ultrapassar o tradicional conformismo e o protocolo. Que deixem de lado o verniz das palavras polidas e enfrentem de peito aberto as reais dificuldades: desigualdade social, corrupção, falta de transparência e a fragilidade das instituições democráticas.

Mais do que um evento para “promover a paz”, esta plenária deveria ser um palco para os parlamentos da CPLP se comprometerem com a transparência, com a fiscalização efetiva dos governos e com a participação cidadã real. Que o lema escolhido não fique preso ao discurso, mas inspire ações concretas e palpáveis.

Em suma, a 14.ª Assembleia Plenária da CPLP em Maputo tem potencial para ser mais do que uma mera reunião entre parlamentares. Tem potencial para ser um momento de viragem, desde que os protagonistas decidam agir com honestidade, coragem e responsabilidade.

Até lá, resta-nos olhar com ceticismo e vigilância — para que os temas “paz” e “boa governação” não se transformem apenas em slogans de ocasião.

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