A disputa entre Adalberto Costa Júnior e Abel Chivukuvuku na FPU levanta uma pergunta espinhosa: quem tem razão? Terá Adalberto passado a perna a Chivukuvuku ou Chivukuvuku entrou num jogo sem saber as regras?
O ponto central parece ser um acordo verbal e informal, que, segundo relatos, nunca foi formalizado nem reconhecido por notário. Adalberto, ao que tudo indica, viu-se no direito de não cumprir o “valor acordado” alegando falta de base legal. E aqui entra o dilema: a legalidade pode justificar a quebra da palavra? E onde fica a ética?
Se a nossa palavra já não tem valor, se tudo precisa ser escrito, reconhecido, carimbado e autenticado, então o tecido moral da política está mesmo podre. Porque há momentos em que a assinatura mais poderosa devia ser a integridade de quem a dá.
Por outro lado, Chivukuvuku falhou como político maduro. Um homem da sua experiência devia saber que promessas sem respaldo jurídico são areia movediça. Numa arena onde alianças são frágeis e interesses mudam com o vento, confiar apenas no “fio do bigode” foi ingenuidade ou arrogância.
Quem vive da política não pode ignorar a política do direito.
Tratar acordos financeiros e de poder como meras conversas de corredor é abrir a porta ao oportunismo. Ele devia ter buscado garantias, registros e apoio jurídico. Não o fez. E pagou o preço.
No fim, pergunta-se: quem usou quem?
Adalberto, ao fugir do acordo verbal, pode ter sido frio e calculista — mas jogou dentro das “regras” que ele próprio estabeleceu.
Chivukuvuku foi usado? Talvez. Mas foi o maior vencedor da FPU. Não recebeu aquilo que lhe foi prometido pela UNITA, mas usou a UNITA para ter o seu partido legalizado. E agora, com o seu próprio partido, receberá aquilo que lhe foi negado na FPU.
E Angola? Angola assiste, mais uma vez, a líderes que prometem mudança, mas jogam com os mesmos truques velhos.
Birmingham, 30 de maio de 2025.
Este post já foi lido 629 vezes.
