Desde que chegou a Lisboa, o Tio Alfredo tem uma teoria sobre tudo. Mas nada o intriga tanto quanto a máquina de multibanco.
Certa manhã, foi ao supermercado comprar arroz, óleo de palma e um pacote de café. Quando chegou à caixa e a funcionária lhe disse “Pode pagar com cartão?”, ele bufou e puxou da carteira uma nota de vinte.
— “Filha, isso de passar cartão é coisa do demónio. No meu tempo, homem dava dinheiro com a mão, olhos nos olhos. Agora o banco é que sabe o que comprei e a que horas. Isso é feitiçaria digital!”
A funcionária tentou sorrir, mas ele continuava:
— “Querem controlar o povo com esses cartões. Um dia vamos acordar e já nem dinheiro existe. Só um código no braço. Já viste isso? Já estamos no livro do Apocalipse, minha filha. Capítulo 13!”
No fim, pagou com nota, recebeu o troco em moedas e murmurou:
— “Essas moedas têm cheiro de liberdade.”
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