“Já não tem lugar no futebol europeu”

Mourinho

José Mourinho, o treinador mais vitorioso da história de Portugal, com passagens e títulos pelos maiores clubes do mundo — Porto, Chelsea, Inter, Real Madrid, Manchester United — agora é tratado como relíquia desactualizada por um dirigente que, até hoje, não venceu absolutamente nada. Mas é sempre mais fácil anunciar um novo futuro quando o presente ainda não é nosso.

Claro, o futebol vive de ciclos. E Mourinho está num novo: mais maduro, mais defensivo, mais cínico, talvez. Mas também mais humano e estratega. Ao assumir o comando do Fenerbahçe, ele sabe que não está num Real Madrid — está num clube que há uma década não vence a liga turca. E isso exige não só táctica, mas visão e coragem. Características que Mourinho ainda tem, e que poucos se atrevem a questionar… a não ser em campanhas eleitorais populistas.

Dizer que Mourinho deve “virar-se para o futebol do Médio Oriente” é não perceber o peso simbólico do seu nome. Onde ele vai, as câmaras seguem. Os estádios enchem. O marketing dispara. O clube cresce. Pode não ser o Mourinho de 2004, mas continua a ser o Mourinho — com mais experiência que muitos dirigentes somam em vidas inteiras de futebol.

Mas o que mais impressiona é a soberba. Kutlualp afirma que, se não for campeão na primeira época, renuncia. Como se fosse possível prometer campeonatos num futebol tão volátil. A promessa soa bem, mas cheira a jogada fácil para cair de pé caso falhe.

E quanto ao sucessor que propõe? Christoph Daum. Um bom nome, sim. Mas que treinou o Fenerbahçe pela última vez há quase 15 anos. O mundo mudou. O futebol mudou. E trazer de volta uma ideia de “escola alemã ofensiva” não basta para ganhar troféus num campeonato onde o Galatasaray, o Trabzonspor e até o Basaksehir crescem e investem.

A pergunta é simples: se Mourinho não serve mais para a Europa, então para onde vai a Europa?

Para treinadores que nunca venceram a Liga dos Campeões?
Para dirigentes que confundem liderança com frases de efeito?

Mourinho pode não agradar a todos, mas continua a ser um símbolo de competência e autoridade. E se há algo que clubes como o Fenerbahçe precisam, é exactamente disso: alguém que saiba ganhar… mesmo quando ninguém acredita.

No futebol — como na vida — os que falam mais alto antes de ganhar, geralmente são os primeiros a cair em silêncio quando perdem.

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