Querida,
Não sei se algum dia vais ler esta carta. Talvez já estejas cansada das minhas palavras, e com razão. Mas mesmo que nunca chegue até ti, precisava escrevê-la — por mim, por ti, por todos os homens que pensam que o que está do lado de fora é mais bonito do que aquilo que têm dentro de casa.
Fiz-te mal. Eu sei disso agora. Troquei o amor verdadeiro por uma aventura passageira. Troquei uma mulher inteira, que me conhecia por dentro e por fora, por uma jovem que apenas via em mim um reflexo do seu próprio ego.
Na altura, achei que estava a “renascer”. Confundi adrenalina com felicidade, confundi paixão com amor, confundi vaidade com sentido. Estava cego. Fui fraco. E hoje vivo com esse peso no peito. Não foi só o nosso casamento que perdi. Perdi a minha melhor amiga. Perdi o respeito que via nos teus olhos. Perdi o chão.
E agora percebo o que tu sempre foste: um lar. Um porto seguro. Uma mulher que aguentou os meus silêncios, as minhas crises, as minhas ausências. Uma mulher que me amou com gestos e não com cenas. Que me deu mais do que eu merecia — e a quem eu dei menos do que devia.
Se esta carta te tocar de algum modo, só quero que saibas: eu mudei. Não te peço que voltes agora. Não te imploro perdão. Só te peço que me dês um dia a oportunidade de te mostrar que aprendi. Que sou homem suficiente para assumir a minha queda… e a minha vontade de reparar.
E a quem está a ler esta carta, deixo um aviso sincero: cuidem de quem vos ama em silêncio, antes que o silêncio vire ausência.
Com arrependimento e esperança,
O homem que só percebeu o que tinha… depois de perder.
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