Malundo Kudiqueba – Manchester
Para liderar a FPU, proponho os nomes de Carlos Rosado de Carvalho e Luaty Beirão — figuras que representam, com integridade e independência, o espírito da verdadeira sociedade civil. Se a Frente Patriótica Unida é, de facto, um projecto da sociedade civil, então não pode estar sob a direcção de um líder partidário. A liderança da FPU deve ser isenta, plural e representativa, e não uma extensão das estratégias internas de um partido político.
Carlos Rosado de Carvalho – Economista com pensamento crítico, com provas dadas de independência, com autoridade intelectual. Alguém que não deve favores nem votos a nenhum partido político. É respeitado à esquerda e à direita, pela sua isenção e honestidade analítica. É a bússola que falta a muitos projectos cegos pela ambição.
Luaty Beirão – Tem coragem, tem coerência e, sobretudo, não tem medo de dizer a verdade, doa a quem doer. Não se vendeu ao sistema, não se calou perante a repressão. Representa o inconformismo e a esperança. “A sociedade civil não pode ser dirigida por quem tem cartão de partido, mas por quem tem compromisso com o povo.”
Estes nomes são apenas o começo de uma discussão que deve ser feita com seriedade. Angola precisa de uma liderança que una, escute, represente — e não de alguém que imponha, seleccione e exclua. “Não queremos chefes, queremos líderes. Não queremos donos de projectos, queremos construtores de pontes.”
A FPU nasceu para ser uma frente ampla. Se for transformada em quintal de um só partido, perde o sentido e trai a sua missão. A sociedade civil não é figurante na política nacional — é a verdadeira protagonista da mudança. “Não se constrói um projecto nacional com portas fechadas e critérios de amizade.”
A FPU foi apresentada à sociedade como um projecto da cidadania e da pluralidade, não como uma extensão da UNITA nem como palanque pessoal de um líder partidário. Se assim fosse, não precisaria do nome “Frente”, bastava dizer “coligação eleitoral da UNITA”. Mas não, venderam-nos outro sonho. E agora, lentamente, vemos a sociedade civil transformada em figurante num teatro partidário.
Se a FPU é mesmo da sociedade civil, então deve ser dirigida por uma figura respeitada, neutra e com capacidade de congregar vontades. Não se pode exigir que activistas, académicos, religiosos e cidadãos independentes actuem como se fossem militantes da UNITA. “Quem não consegue unir aliados, não está preparado para unir uma nação.”
Chegou o tempo de parar e reflectir: ou a FPU muda de rumo, ou o povo mudará de projecto. Angola precisa de todos, mas não se deixará governar por quem não sabe partilhar.
Manchester, 25 de Maio de 2025
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