A FPU Não é da Sociedade Civil

Luaty beirao quem e o rapper que esta em greve de fome e preso em luanda 2

Malundo Kudiqueba – Manchester

A FPU teve o seu tempo. Mas o tempo da cidadania exige algo maior. Um movimento verdadeiramente nacional, inclusivo, apartidário, com coragem para enfrentar o sistema — e também para enfrentar os que dentro da oposição reproduzem os mesmos vícios que criticam.

Precisamos de líderes que não precisem de aplausos partidários para existir. Precisamos de líderes que não tenham medo de discordar. Precisamos de líderes que construam pontes, não trincheiras.

Carlos Rosado é um economista livre. Um dos poucos intelectuais angolanos que pensa com a cabeça, fala com independência e escreve com coragem. Não é refém de nenhum partido. Tem lucidez, tem ética e tem visão. É respeitado por todos os quadrantes precisamente porque não pertence a nenhum.

Luaty Beirão é o símbolo da resistência cívica. Sofreu na pele a repressão, mas nunca abdicou da palavra. É uma das vozes mais respeitadas entre os jovens. Tem credibilidade, tem coerência e tem coragem. Num país onde tantos se calam por medo ou conveniência, Luaty fala porque acredita.

A Frente Patriótica Unida (FPU) nasceu com esperança e morreu à porta da partidarização. O que começou como um esforço promissor de convergência entre forças políticas e vozes independentes da sociedade civil foi, pouco a pouco, capturado pela lógica partidária, transformando-se num palco controlado por um só protagonista. Hoje, a FPU não é um espaço de unidade — é um partido disfarçado de frente.

A sociedade civil precisa de um novo movimento. Um espaço onde o cidadão comum, o académico, o activista, o jovem desempregado, o camponês e o empresário possam ver-se representados sem precisar de usar camisolas partidárias. A FPU já não responde a este anseio. Transformou-se num clube privado, onde só entra quem jura fidelidade a uma sigla.

Adalberto da Costa Júnior tem agido como proprietário de um projecto que deveria ser colectivo. Na FPU só entra quem ele quer. Só fica quem concorda. Só tem voz quem se submete. A FPU, em vez de unir, exclui. Em vez de representar, filtra. Em vez de escutar, impõe.

Por isso, está na hora de erguer uma nova plataforma. Um verdadeiro movimento da sociedade civil. E para essa tarefa, propomos dois nomes de peso: Carlos Rosado de Carvalho e Luaty Beirão.

Manchester, 25 de Maio de 2025

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