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Refugees

Marcelo Aratum

Durante décadas, os negros sul-africanos foram saqueados e explorados pelos brancos, sem que isso comovesse os Estados Unidos ou a Europa. Pelo contrário, estas potências apoiaram, direta ou indiretamente, a pilhagem sistemática contra os negros sul-africanos. Hoje, basta o Estado sul-africano anunciar a intenção de transferir terras privadas para domínio público, e logo surgem ameaças de sanções e represálias internacionais.

Neste exacto momento, no Sudão, mais concretamente na região de Darfur, há uma perseguição brutal contra o povo local. Mais de 300.000 pessoas foram mortas e cerca de três milhões abandonaram as suas terras de origem. No entanto, quase nada se diz sobre este genocídio. Os noticiários concentram-se na Ucrânia e em Gaza. Da África, ninguém fala. Nem mesmo os próprios africanos falam da África. E eis que se aproxima o 25 de Maio, o chamado “Dia de África”. Pois bem: Dia de África, festas por todo o lado onde haja um africano. Coitados. A grande maioria nem sequer compreende o verdadeiro valor da comemoração. Celebram apenas por celebrar, e não pelo significado profundo da data.

Sempre digo: o que mais me revolta não é o comportamento dos imperialistas em relação aos africanos. O que me choca profundamente é a fé cega que muitos africanos depositam nos “pães” oferecidos pelos mesmos imperialistas: democracia, liberdade de expressão, direitos humanos, paz, justiça, céu, etc. Isso, sim, é o que me deixa verdadeiramente indignado. É difícil compreender como, até hoje, o africano não consegue ver a realidade, acreditando que o Ocidente é generoso ao ponto de lhes oferecer uma “cama de ouro” embalada num sorriso de dor.

Concluindo: o verdadeiro bem, a verdadeira paz, a verdadeira segurança nunca vêm de fora. São construídos internamente, por aqueles que verdadeiramente o desejam. A prova disso está na imposição da democracia neoliberal em África. Os africanos não escolheram esse modelo democrático; ele foi-lhes imposto.

Marcelo Aratum – Escritor

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