Malundo Kudiqueba – Manchester
No encerramento do primeiro congresso do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku não usou meias-palavras. Lançou um recado direto, sem floreios nem diplomacias de ocasião. Disse, alto e bom som: “Não tenham medo do PRA-JA. Não tenham inveja do PRA-JA.” Palavras cirúrgicas, disparadas com a frieza calculada de quem já viu e viveu muito neste xadrez político angolano. O alvo? A Frente Patriótica Unida (FPU). E o destinatário? Toda a gente sabe.
Há muito que eu alertava: a aliança entre Adalberto da Costa Júnior e Abel Chivukuvuku é como misturar óleo com água. A incompatibilidade de perfis salta à vista. Abel é direto ao ponto, fala com a alma do povo, não gosta de rodeios nem discursos acadêmicos.
A verdade nua e crua é esta: a oposição tradicional tem estado na sombra do MPLA durante décadas, mas sem nunca conseguir transformar essa sombra em alternativa real. O que muitos na FPU não querem admitir é que o PRA-JA está a crescer. Está a ganhar musculatura própria. Não é um apêndice da UNITA, nem quer ser. E isso incomoda. Porque, ao contrário de certas lideranças que falam para convencer elites, Chivukuvuku fala para inspirar massas. E isso é perigoso num país onde a fome de mudança cresce a cada dia.
Há quem diga que foi um recado infeliz, que a oposição devia estar unida. Mas unir-se não significa calar-se. A verdadeira unidade constrói-se com respeito e franqueza, não com silêncios hipócritas nem subserviência política. E Chivukuvuku apenas fez o que muitos pensam, mas poucos ousam dizer. O discurso mobilizador de Chivukuvuku mexe com os nervos de uma oposição que teme perder o protagonismo sem nunca o ter realmente conquistado.
No fundo, esta mensagem é mais do que um recado — é um alerta: ou a oposição se reinventa, ou continuará a ser apenas isso — oposição decorativa. A política angolana precisa de coragem, e não de calculismo.
Manchester, 22 de Maio de 2025.
Malundo Kudiqueba.
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