Por Malundo Kudiqueba
Há verdades que custam a engolir, mas alguém tem de dizê-las: prefiro viver numa ditadura que constrói, do que numa democracia que destrói. E, sim, refiro-me ao Qatar, aos Emirados Árabes Unidos, e até à tão criticada Arábia Saudita. Regimes autocráticos? Sim. Mas com visão, resultados, e um futuro que não se limita à propaganda. Angola gosta de se autoproclamar democracia. Mas que democracia é esta onde o povo não escolhe livremente, onde as instituições servem interesses partidários, e onde a liberdade de expressão é tratada como crime de segurança nacional?
Se isto é democracia, então devolvam-nos a ditadura — ao menos sabíamos quem mandava e para quê.
No Qatar, os cidadãos têm acesso a saúde de qualidade, educação de ponta, e cidades que parecem do futuro. Nos Emirados, há um plano claro, executado com rigor e ambição. As suas lideranças, mesmo autocráticas, gerem os países como quem gere uma empresa de excelência: resultados, metas e responsabilidade.
Em Angola, temos eleições sem alternância, promessas sem futuro, e discursos cheios de palavras vazias. A democracia angolana é como um carro de luxo sem motor: parece bonita, mas não vai a lado nenhum.
Votamos, mas não decidimos. Falamos, mas não somos ouvidos. Vivemos, mas não temos dignidade.
Enquanto o Qatar constrói museus, universidades, metrópoles inteligentes e programas de investimento no futuro, Angola continua refém de discursos de guerra, de bajuladores do poder, e de uma elite que confunde o Estado com a conta bancária pessoal.
A democracia, quando só serve os mesmos, transforma-se na pior forma de ditadura: aquela que se mascara de liberdade para esconder a miséria.
Os regimes do Golfo, com todas as suas falhas, investem no seu povo. Angola investe na elite. Nos Emirados, um jovem pode sonhar em criar uma startup tecnológica. Em Angola, o mesmo jovem só sonha com uma oportunidade para sair do país.
Se democracia for sinónimo de liberdade, onde está a liberdade do povo angolano de viver com dignidade, de ter saúde pública que funcione, educação sem propaganda, e justiça sem interesses?
Uma democracia que serve os corruptos não é democracia — é um teatro. E em Angola, a peça já vai longa.
Não, não defendo regimes opressores. Defendo resultados. E se for preciso importar algum autoritarismo para acabar com o autoritarismo corrupto disfarçado de democracia, então que venha.
Porque entre a ditadura que constrói e a democracia que destrói, escolho a primeira. Pelo menos, constrói.
Birmingham, 18 de Maio de 2025.
Malundo Kudiqueba
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