Por Malundo Kudiqueba
A história repete-se — só mudam os protagonistas. Depois de envergonhar publicamente o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky com telefonemas, chantagens e jogos de bastidores, Donald Trump prepara-se agora para virar os olhos para o continente africano. O alvo? Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul. Na segunda-feira, o mundo pode assistir a mais uma lição pública de humilhação geopolítica ao estilo Trump.
E desta vez, com a cumplicidade venenosa de Elon Musk.
Sim, o bilionário sul-africano que abandonou o seu país natal está agora a sussurrar conselhos no ouvido de Trump — e a tentar destruir a reputação da África do Sul em nome da sua cruzada pessoal contra o ANC e tudo o que cheire a justiça internacional.
Os EUA já deram o primeiro sinal: expulsaram discretamente o embaixador sul-africano, num gesto diplomático hostil.
O pecado de Ramaphosa? Ter tido a coragem de levar Israel ao Tribunal Internacional de Justiça por crimes de guerra em Gaza.
Num mundo onde a moral é moeda de troca, quem ousa defender os oprimidos acaba na lista negra dos poderosos.
Trump, por sua vez, não vê genocídio em Gaza. Mas acusa a África do Sul de genocídio… contra fazendeiros brancos.
É o mundo ao contrário: os opressores são vítimas, e quem defende a legalidade internacional é tratado como criminoso.
Será que Trump vai usar o palco internacional para humilhar Ramaphosa ao vivo e a cores? Vai transformar a diplomacia num espetáculo de dominação?
Nada está fora do seu manual de arrogância.
Cyril Ramaphosa tem dois caminhos: curvar-se ou confrontar. O primeiro é o mais comum. O segundo é o mais digno.
Se a África do Sul recuar agora, Trump terá vencido não só mais um presidente, mas uma nação inteira.
E Musk brindará com champanhe, sorrindo de longe, por ver a sua terra natal subjugada ao império do narcisismo global.
A segunda-feira vai mostrar se a África ainda tem líderes à altura dos seus desafios — ou apenas figurantes num teatro onde os bilionários e ex-presidentes brincam com a soberania alheia.
O mundo está a assistir.
E o silêncio, desta vez, será cúmplice.
Birmingham, 16 de Maio de 2025.
Malundo Kudiqueba
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