Malundo Kudiqueba
Há ditadores que caem. Outros fogem. Mas há também os que preferem morrer agarrados à cadeira presidencial como se o país fosse um prolongamento da sua própria vida. Paul Biya, presidente dos Camarões há mais de 42 anos, parece pertencer a esta última categoria. Aos 92 anos de idade, o homem que transformou o poder num trono vitalício continua a governar como se fosse imortal — indiferente ao clamor das ruas, ao sofrimento do povo e à própria decadência do seu regime. Num continente jovem, vibrante e cheio de potencial, manter-se no poder até aos 92 anos é mais do que um exagero: é um insulto à esperança.
Enquanto Douala, Yaoundé, Maroua e Bafoussam se enchem de protestos e vozes cansadas da mesma narrativa há quatro décadas, Paul Biya recusa-se a largar o poder. Não porque tenha soluções. Não porque represente o futuro. Mas porque a sua permanência no cargo é, para ele, uma questão de sobrevivência pessoal, não nacional.
A juventude camaronesa já não suporta ver o seu destino amarrado a um passado que se recusa a morrer. Os jovens que hoje marcham pelas ruas nasceram sob o regime Biya. Cresceram sob censura, desemprego e repressão. Nunca conheceram outro líder. Nunca foram governados por alguém que os entendesse ou representasse.
Camarões não é um túmulo político. É uma nação com direito a sonhar, a crescer e a respirar sem o peso de um presidente que já devia ter escrito as suas memórias e não decretos.
A permanência de Biya no poder não é apenas uma aberração política — é um obstáculo real ao progresso do país. Nenhuma economia floresce sob o comando de um regime paralisado pelo medo da sucessão. Nenhuma democracia respira quando o mesmo homem dita as regras há mais de quatro décadas.
E, no entanto, Biya continua. Cercado por um pequeno círculo de beneficiários do sistema, protegido por um exército que mais parece guarda pessoal, e alimentado por uma elite que lucra com o status quo. Um país inteiro em pausa, para que um só homem possa manter o seu trono.
Mas a história é implacável. E quando o povo perde o medo, os impérios pessoais ruem.
A cada protesto que cresce, a cada grito de revolta que ecoa nas ruas e nas redes, Paul Biya perde mais do que autoridade — perde legitimidade. Pode continuar a fingir que governa, mas já não lidera. Pode insistir em ser presidente, mas já não representa.
A morte no poder é o fim preferido dos autocratas. Mas não é glorioso. É trágico. Porque é sempre acompanhada pela ruína do país que se recusaram a libertar.
Camarões não precisa de um presidente que morra no poder. Precisa de um líder que saiba quando sair — e um povo que nunca mais aceite ser refém de ninguém.
Birmingham, 16 de Maio de 2025.
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