João Lourenço e a ONU: Encontros de Cortesia ou Compromissos Reais?

Chefe de estado recebe onu

Malundo Kudiqueba

África já não precisa de mais encontros de cortesia. Precisa de coragem. Precisa de resultados. E Angola, que se apresenta como país de paz e estabilidade, precisa agora de provar que não é apenas um bom anfitrião para missões diplomáticas, mas sim um verdadeiro agente de mudança.

O desenvolvimento sustentável não pode ser só uma frase repetida em conferências internacionais. É preciso que se traduza em políticas públicas, em justiça social, em distribuição equilibrada da riqueza. A paz que tanto se exalta em discursos é frágil se não for acompanhada de justiça. E não há segurança verdadeira onde as crianças continuam fora da escola, os hospitais colapsam e as mães partilham pão seco com esperança moída.

Se o encontro com Amina Mohammed foi apenas mais um gesto diplomático, então perdeu-se mais uma oportunidade de colocar Angola no centro das soluções para África. Mas se, pelo contrário, for o início de uma verdadeira aliança entre o Estado angolano e as Nações Unidas para promover políticas eficazes contra a pobreza, a fome e a exclusão, então esta audiência poderá ter sido histórica.

João Lourenço está perante uma encruzilhada política e moral. Ou segue o caminho das boas intenções e frases feitas — e afunda-se na irrelevância internacional — ou decide transformar cada reunião de alto nível em compromissos reais com o povo angolano.

A paz que hoje se ostenta deve muito à diplomacia. Mas o futuro de Angola dependerá menos de audiências presidenciais e mais de ações consequentes.

Chegou a hora de Angola deixar de apenas receber representantes da ONU e começar a ser uma referência nas Nações Unidas. Para isso, não bastam fotografias. É preciso coragem política.

Birmingham, 15 de Maio de 2025.

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