Homem de Verdade Diz Verdades

Beleza negra

Por Malundo Kudiqueba

A verdade, por mais dura que seja, constrói. A mentira, por mais doce que pareça, destrói. E aqui entra o bom homem — não o perfeito, não o idealizado, mas o homem inteiro, que se recusa a viver de fingimentos. Aquele que, mesmo tremendo por dentro, escolhe olhar nos olhos da mulher e dizer: “Isto é o que há.”

Numa conversa com uma amiga psicóloga em Londres, ela confidenciou-me: “A maioria dos casais que acompanho não se separa por traições, mas por omissões.” O não dito pesa mais que o grito. A ausência de verdade cria um espaço onde o amor já não respira, mas sobrevive.

A mentira não é falta de coragem. É excesso de egoísmo.

Em Luanda, lembro-me de um vizinho, o Senhor Joaquim, que após 25 anos de casamento confessou à mulher que nunca tinha gostado de viver ali. “Fiquei por ti, pelos miúdos…”, dizia. Ela chorou durante dias. Mas no fim, disse-lhe: “Preferia ter ouvido isso há 20 anos. Teríamos vivido uma vida verdadeira, ainda que diferente.”
Essa frase nunca me saiu da cabeça. Quantas relações se sustentam sobre verdades que nunca foram ditas?

Homem de verdade não é o que nunca erra, é o que tem a coragem de assumir o erro — antes que a mentira o devore.

A sociedade, ainda hoje, ensina os homens a agradar, a manter a compostura, a evitar o conflito. Muitos confundem lealdade com silêncio. Mas o amor não precisa de máscaras, precisa de espelhos. Um bom homem é aquele que escolhe ser espelho, mesmo que isso quebre a imagem idealizada que o outro construiu.

E não, não se trata de ser cruel. Trata-se de ser honesto. Há homens que fazem a mulher sorrir todos os dias — mas com palavras ocas, gestos programados, verdades amputadas. E há outros que a fazem chorar uma vez, com uma verdade dura, mas que abre espaço para um amor mais limpo, mais livre, mais maduro.

O verdadeiro amor não é confortável. É corajoso.

A minha avó dizia sempre: “A verdade assusta, mas nunca engana. A mentira acalma, mas arruína.”
Na era das redes sociais, dos filtros e das relações descartáveis, dizer a verdade tornou-se um acto quase revolucionário. Mas continua a ser o único caminho para o respeito mútuo.

Quem mente para evitar uma dor momentânea está a semear a dor permanente da desconfiança. Já quem fala a verdade, mesmo tremendo, planta a base de um amor que pode crescer com raízes fortes.

Mais vale uma lágrima agora do que uma vida inteira de sorrisos falsos.

E assim termino com uma provocação: mulheres, escolham o homem que vos faz chorar pela verdade — não o que vos ilude com palavras bonitas. Porque nesse choro vive a possibilidade de um amor real. E homens, tenham a grandeza de amar com honestidade. Não sejam poetas da mentira, mas soldados da verdade. Amar também é isso: dizer o que dói, para que depois possa florescer o que liberta.

Birmingham, 09 de Maio de 2025.

Malundo Kudiqueba.

Email: malundonicolau11@hotmail.com

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