Pensar Diferente Não É Trair

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A democracia morre devagar quando se torna pecado pensar diferente. As ideias devem combater-se com ideias, com argumentos, com razão e inteligência — nunca com insultos, ameaças ou tentativas de silenciamento. A pluralidade é a alma da liberdade. Quando essa alma é vendida em troca de unanimidade forçada, o que resta é apenas um corpo político vazio, a fingir que respira.

Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da crítica. Nenhum partido deve ser tratado como uma religião, nem os seus líderes como deuses intocáveis. Quando se confunde política com culto, matamos o pensamento livre. Substituímos o cidadão pelo crente, o argumento pela fé cega, o voto pela veneração.

É preciso ter coragem para dizer: a liberdade de escolha é um direito inalienável. E escolher diferente não é trair ninguém — é simplesmente exercer cidadania. Se num país quem critica o governo é tratado como inimigo e quem muda de opinião é chamado de vendido, então já não se vive em democracia, vive-se num campo de obediência disfarçado de pátria.

Não há verdadeira liberdade onde reina o medo de falar. Não há progresso onde discordar é proibido. E não há futuro onde os jovens aprendem que pensar diferente é perigoso. A democracia não é um regime para os obedientes, mas para os conscientes. Para os que perguntam, questionam, denunciam e propõem. Mesmo que isso incomode.

Porque se há algo mais perigoso do que uma ditadura declarada, é uma democracia fingida. Nessas, os aplausos são obrigatórios, os silêncios são cúmplices e a verdade é aquilo que o líder quiser que seja. E aí, quando todos pensam igual, é porque já ninguém está a pensar.

Rotterdam, 06.05.2025.

Malundo Kudiqueba

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