A maior parte dos jornalistas angolanos são corruptos

Jornal news

Em Angola, o microfone é uma arma apontada à verdade — e o gatilho é o suborno.
As perguntas difíceis desapareceram. Os silêncios comprados tornaram-se manchetes.
O que antes era denúncia, hoje é publicidade política disfarçada de reportagem.

Não temos imprensa livre. Temos imprensa livre… de valores.

Os verdadeiros jornalistas estão desempregados, desmotivados ou exilados. Os outros — os que aparecem de gravata nos telejornais — são especialistas em bajular, em contornar a realidade, em elogiar o ladrão enquanto culpam o pobre por ter fome.

Alguns fazem tanto esforço para parecer neutros que acabam cúmplices.
Outros nem fingem: são relações públicas com carteira profissional.

É comum ver jornalistas que ontem atacavam o governo e hoje trabalham para ele. Não mudaram de opinião — apenas mudaram de patrão. E, em Angola, isso paga bem.

Não há investigação jornalística consistente. Há reciclagem de discursos.
Não há coragem. Há conveniência.
Não há compromisso com o povo. Há contrato com o poder.

Chamam-se “analistas políticos” mas são artistas da manipulação. Cada frase tem um preço. Cada silêncio tem uma razão. Cada notícia tem dono.

Em Angola, a linha editorial é definida na mesa do restaurante — entre uma lagosta e uma mala.

Enquanto o povo procura informação, os “jornalistas” oferecem propaganda.
Enquanto o país se afunda, eles transmitem discursos triunfalistas como se vivessem na Suíça.
A verdade? Essa não entra no estúdio. É barrada à porta por falta de credenciais.

E depois perguntam porque é que o povo prefere redes sociais às televisões.
É simples: até o boato parece mais honesto do que o noticiário oficial.

A imprensa angolana está doente. Mas a cura não virá de dentro — porque muitos dos que seguram a caneta já assinaram o contrato com a mentira.

Enquanto isso, o povo continua mal informado, maltratado e manipulado.
E os jornalistas? Bem pagos, bem calados e bem escondidos por trás da falsa neutralidade.

Amsterdam, 05.05.2025.

Malundo Kudiqueba.

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