Vivemos tempos em que a indiferença virou moda e o egoísmo tornou-se uma religião silenciosa. Quem não sente, quem não se importa, quem não estende a mão, já desistiu de ser humano — apenas ocupa espaço. Num mundo cheio de feridas, quem ignora a dor é cúmplice da tragédia.
Malundo Kudiqueba
Se olhas para a fome, para a guerra, para a injustiça, e viras o rosto, então és parte do problema. Não há neutralidade moral: o silêncio é a assinatura da covardia.
A tua indiferença não é inocente — é um acto de violência disfarçada.
Ser humano é mais do que respirar, é mais do que existir. É sentir pelo outro. É inquietar-se com a injustiça, é sofrer com a fome do estranho, é revoltar-se contra o sofrimento alheio.
Quem não se indigna já se entregou à morte em vida.
Não te iludas: o mundo não precisa de mais corpos que andam, falam e consomem. Precisa de almas vivas, de consciências atentas, de corações que se recusem a aceitar a barbárie como normal.
A tua presença no mundo deveria ser uma bênção, não um fardo inútil.
Quando escolhes a indiferença, tornas-te tão irrelevante como um eco perdido no deserto. Não deixas pegada, não inspiras memória, não semeias esperança.
Quem não sente pelos outros não vive — apenas sobrevive na sombra dos que ousam lutar.
Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa de quem se importa. De quem ergue a voz, de quem oferece a mão, de quem não aceita o sofrimento do próximo como um detalhe a ignorar.
Se não vives para melhorar o mundo, então estás a desperdiçar o privilégio de estar nele.
A tua vida só terá valido a pena se tiver tocado a vida de alguém para melhor. Caso contrário, foste apenas uma nota de rodapé esquecida na história da humanidade.
Sê a diferença — ou serás apenas mais um número a ser esquecido.
Birmingham, 27 de março de 2025.
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