85% dos angolanos querem abandonar o país

Zungueira

Se amanhã ancorássemos navios nos portos de Luanda, Benguela, Lobito e Cabinda, oferecendo uma saída a quem quisesse, o país seria esvaziado num único dia. Não ficaria quase ninguém. Porque Angola só é boa para os políticos, seus filhos, suas famílias e seus cúmplices. Para o povo? Angola é um campo minado onde cada dia vivo é uma vitória amarga.

“Transformaram o país num negócio privado. Enquanto o povo conta moedas, os políticos contam mansões.”

Os governantes angolanos herdaram um país abençoado por Deus e amaldiçoado pelos homens. Tinham nas mãos a oportunidade de construir uma potência africana, um exemplo para o mundo. Em vez disso, construíram palácios de luxo em bairros onde falta água potável. Em vez de hospitais, abriram contas offshore. Em vez de escolas, levantaram muros.

“Angola não é um Estado falhado. É um Estado saqueado.”

Não há outro termo: saqueado. O petróleo, os diamantes, a madeira, as terras agrícolas — tudo foi pilhado enquanto o povo era ensinado a agradecer pela miséria. “Somos um povo de paz”, dizem. Não, somos um povo amordaçado, ensinado a sofrer em silêncio enquanto nos roubam a dignidade.

A juventude angolana já não acredita em discursos, bandeiras ou promessas. Acredita apenas no passaporte. Na fuga. No recomeço longe da terra que já não reconhecem como sua.

“Num país normal, a juventude constrói o futuro. Em Angola, a juventude constrói malas para partir.”

Angola não falhou por falta de recursos. Falhou porque os que tinham o dever de liderar preferiram enriquecer do que governar. Escolheram o luxo sobre a justiça, a ganância sobre o patriotismo. E agora, sentados nos seus tronos de hipocrisia, perguntam porque é que os jovens não têm esperança.

O povo angolano não é preguiçoso, nem incompetente. É vítima. Vítima de uma elite que se perpetua no poder usando a fome, o medo e a ignorância como armas de dominação.

“Quando a pátria vira cárcere, o exílio torna-se liberdade.”

Angola, que deveria ser sinónimo de esperança africana, é hoje um triste manual de como destruir um país com as próprias mãos. E a pergunta que fica no ar, sufocante como o calor da cidade de Luanda, é apenas uma:

Quantas gerações mais teremos de perder para que Angola volte a ser de quem a ama, e não de quem a rouba?

Birmingham, 26 de março de 2025.

Malundo Kudiqueba

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