Apresento aqui, de forma clara e frontal, a minha solidariedade pública ao Presidente do Burkina Faso, Capitão Ibrahim Traoré — um homem alvo de mais de 20 tentativas de assassinato em apenas dois anos. Sim, vinte. Não por ser corrupto. Não por ter reprimido o seu povo. Mas porque se atreveu a fazer aquilo que mais assusta os donos do mundo: pensar de forma independente. Em África, pensar com a própria cabeça tornou-se sentença de morte.
Malundo Kudiqueba
Traoré não é o inimigo do povo. O verdadeiro inimigo veste fato e gravata, fala francês com sotaque parisiense e inglês com pretensões de império. A França e os Estados Unidos — os mesmos que eliminaram Thomas Sankara no Burkina Faso e Muammar Kadhafi na Líbia — voltam a mostrar que não aceitam líderes africanos que não possam controlar. A ordem é clara: quem não obedece, deve ser eliminado.
Eles não querem paz em África. Querem silêncio. O silêncio dos mortos.
Mas Traoré não se curva. É jovem, militar, patriota e determinado. É o tipo de liderança que não se vende, e por isso incomoda. Enquanto uns líderes africanos beijam a mão do colonizador moderno em troca de ajudas e aplausos, Traoré exige respeito. E por isso querem matá-lo.
Num mundo onde se compram presidentes ao quilo, Traoré vale ouro porque não tem preço.
A pergunta é simples: quem tem medo do capitão? A resposta é evidente — têm medo aqueles que vivem do caos em África. Têm medo os que vendem armas e compram recursos. Têm medo os que dizem defender a democracia, mas impõem governos a tiro. Têm medo porque Traoré não pediu autorização para libertar o seu povo.
Traoré não é ameaça para o Burkina Faso. É ameaça para o sistema que lucra com a pobreza do Burkina Faso.
É preciso dizer, com todas as letras: a França nunca aceitou perder as suas colónias, apenas mudou a estratégia. E os Estados Unidos, com a sua política externa de farsa e fogo, continuam a patrocinar guerras e quedas de governos desde o Vietname até ao Sahel. O mundo aplaude os discursos, mas ignora as balas silenciosas que atravessam a soberania dos países africanos.
Chamam a isso diplomacia. Eu chamo assassinato com luvas brancas.
Traoré não está sozinho. É hoje símbolo de resistência para milhões. A sua coragem ecoa nas ruas de Ouagadougou, mas também nos corações dos que ainda acreditam numa África livre. A sua vida é a linha que separa a dignidade da submissão. A sua morte seria a confirmação de que o colonialismo só mudou de sotaque.
Se o matarem, não digam que foi por acaso. Foi porque ele teve a ousadia de ser livre.
Esta crónica é um acto de denúncia. Um grito contra a hipocrisia. Um tributo a todos os líderes que ousaram dizer “basta” — e pagaram com a vida. Mas também é um alerta: se não defendermos Traoré agora, quem virá a seguir?
O silêncio dos bons é a vitória dos canalhas.
Como dizia Sankara: “Enquanto o povo se mantiver de pé, os traidores terão os dias contados.”
E o povo já está de pé.
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