Bilionários Africanos: os novos colonizadores internos?

Museveni

Malundo Kudiqueba

Durante décadas, culpámos os europeus pelos males do continente — com razão. Roubaram-nos os recursos, dividiram os povos, impuseram fronteiras e plantaram ditadores. Mas o que fazemos agora com os nossos próprios que, em nome da independência, se tornaram herdeiros do saque?

A independência política sem independência económica foi só uma troca de grilhões: antes de fora, agora de dentro.

Os novos colonizadores não usam fardas, usam fundações. Não falam em missões civilizadoras, falam em “responsabilidade social”. Patrocinam eventos culturais enquanto esfregam as mãos com lucros extraídos do sofrimento popular. Usam o povo como biombo, mas vivem trancados em condomínios blindados onde a miséria não entra nem por engano.

São donos de tudo: bancos, telecomunicações, supermercados, televisões e até da memória colectiva — porque reescrevem a História conforme os seus interesses. O monopólio da riqueza vem com o monopólio da narrativa.

Colonizador não é só quem chega de fora. É também quem, de dentro, suga a terra como se ela lhe fosse pertença privada.

E não se trata apenas de corrupção. Trata-se de um modelo económico assente na exploração consentida, promovida por leis feitas à medida de quem já tem. Enquanto isso, o povo, exausto, tenta sobreviver com salários que não alimentam nem a esperança.

Os bilionários africanos muitas vezes fazem fortuna em sectores onde o povo não tem escolha: água, eletricidade, combustíveis, cimento, telecomunicações. Estão onde a vida acontece, mas só para tirar proveito dela.

A pobreza em África não é um acidente. É um plano de negócios.

E é preciso coragem para dizer isto: muitos dos nossos milionários enriqueceram não apesar do sofrimento do povo, mas graças a ele. Enquanto há gente a vender limões no sol com bebés às costas, há quem lucre com isenções fiscais e monopólios estatais, garantidos por amizades políticas.

O que diferencia um colono do século XIX de um bilionário africano de hoje? A nacionalidade. O resto é igual: domínio, desigualdade, silêncio forçado.

África precisa de empresários. Mas precisa de empreendedores que invistam, criem empregos, redistribuam, e não de cleptocratas disfarçados de benfeitores. O continente tem tudo para ser rico — mas falta-lhe justiça social e vontade política para travar quem o explora de dentro.

Por isso, a pergunta continua a ecoar:
Serão os bilionários africanos os novos colonizadores internos? Ou somos nós que continuamos colonizados pelo medo de dizê-lo em voz alta?

Birmingham, 24 de março de 2025.

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