Por Fama e Poder.
Não estamos aqui para julgar ninguém. O único com essa autoridade é Deus.
Mas estamos aqui para informar. Mostrar os factos. Ligar os pontos. E deixar que cada leitor tire as suas próprias conclusões. Porque em Angola, às vezes a realidade já vem com legenda embutida. O pastor BM Samuel protagonizou um momento que está a dar que falar: fez uma oração pública em favor do Presidente da República, exaltando a sua capacidade de perdoar, apelando à paz, ao diálogo… e surpreendendo os fiéis com um apelo claro: “coloquem Jesus e o MPLA no coração.” “Quando um pastor fala em nome de Deus e cita um partido na mesma frase, já não é só fé. É posicionamento.”
Será isto apenas espiritualidade? Ou estamos perante uma nova forma de evangelização política? BM Samuel poderá aparecer em comícios do MPLA. E, sejamos claros: não estamos a dizer que isso é certo ou errado. Cada cidadão, mesmo pastor, tem o direito de ter preferências políticas. Mas quando a fé começa a falar a linguagem do partido, o debate deixa de ser teológico e torna-se nacional. “A Bíblia não é manifesto eleitoral. E o Espírito Santo não é assessor de imagem.”
Quando um líder espiritual diz ao seu rebanho para colocar Jesus e o MPLA no coração, o povo — que há muito vê a política como palco de promessas não cumpridas — sente o peso dessa frase. Porque o povo acredita em Deus. Mas já não acredita tão facilmente nos homens. BM Samuel disse que o Presidente é um homem que perdoa. E quem somos nós para dizer o contrário? Há ex-governantes reintegrados, há mudanças de discurso, há reabilitações públicas. Mas há também vozes silenciadas e um povo à espera de justiça social. “Perdoar é divino. Mas esquecer o sofrimento do povo é que não é.”
Estamos apenas a colocar as palavras do pastor na mesa. E o povo é livre de mastigar… ou cuspir. A verdade é que não nos podemos admirar se BM Samuel aparecer nos comícios do MPLA. Já mostrou que tem disposição, discurso e alinhamento emocional com o partido. O que isso significa? Cada um que interprete. “Alguns querem o Céu. Outros, os céus do poder.”
Este artigo não julga. Apenas informa.
Mostra que há vozes da fé que começam a entoar hinos políticos.
Se isso é certo ou errado, não cabe a nós dizer. Cabe a cada cidadão, cada fiel, cada ouvinte. Porque o perigo não está na religião nem na política. Está na fusão cega entre as duas.
“Quando a fé sobe ao palanque, o silêncio de Deus grita mais alto que os aplausos.”
Informamos. Vocês decidem. Porque pensar também é um acto de fé.
Malundo Kudiqueba
Birmingham, 20 de março de 2025.
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