Há verdades que não se aprendem nos livros, nem se ensinam nas escolas — só se aprendem a doer. Uma delas é esta: quem faz o bem precisa de ter a armadura de quem está preparado para ser esquecido, usado e até traído. Não te iludas: muitas vezes, os que mais ajudaste serão os primeiros a virar-te as costas. E alguns, além de virar, ainda pisam. A ingratidão é uma faca invisível que só se sente quando já está cravada nas costas. E o pior? Quase sempre vem de quem jurava gratidão eterna, daqueles que beijaram a tua mão enquanto preparavam o golpe.
Mas é assim que a vida funciona:
- A mão que levantas pode ser a mesma que amanhã será ignorada.
- O ombro que ofereces para chorarem, pode ser o mesmo que será virado quando tu precisares.
- O pão que partilhas pode ser cuspido com desprezo por quem achas que salvaste.
Fazer o bem exige uma força brutal. Não é para os que esperam aplausos. É para os que têm consciência limpa, mesmo quando o coração está sujo de mágoa.
“Fizeste tudo por alguém? Parabéns. Mas agora prepara-te para ser acusado de não ter feito nada.”
Quem faz o bem esperando reconhecimento, está a negociar. Quem faz o bem por convicção, está a construir carácter.
Por isso, não faças o bem com medo da ingratidão. Mas também não faças sem estar emocionalmente preparado para ela. Porque ela virá, de uma forma ou de outra. O mundo está cheio de memórias curtas e egos longos.
Faz o bem porque sim. E depois, esquece. Porque quem não esquece, vive acorrentado à mágoa. E mágoa não alimenta a alma — só consome.
Manchester, 19 de março de 2025.
Malundo Kudiqueba
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