Rui Falcão: O Ministro que Ofendeu e Foi Promovido — A Dualidade de Critérios em Angola

Rui falcao

É um espetáculo de hipocrisia. O que diria o cidadão comum que, em qualquer circunstância, ousasse sequer questionar o chefe de Estado, quanto mais ofendê-lo? Esse cidadão, provavelmente, enfrentaria uma punição severa, talvez até encarceramento, como já vimos em casos anteriores de pessoas que fizeram muito menos do que o Ministro Rui Falcão. No entanto, ele, que afrontou diretamente o Presidente, é recompensado com uma promoção. O que isto nos diz sobre as regras do jogo político em Angola?

A dualidade de critérios é um insulto à justiça.
Em Angola, as leis parecem ser moldadas conforme a conveniência e os interesses de quem está no poder. Para uns, a justiça é implacável, mas para outros, a impunidade é a norma. Se uma pessoa simples, sem poder ou influência, insultar o Presidente, as consequências são inevitáveis: a prisão, a humilhação, a marginalização. Porém, para aqueles que têm um “nome” ou “status” no sistema, as regras do jogo são completamente diferentes.

O que é que define quem é punido e quem é protegido? O que justifica a diferença de tratamento? Será que em Angola ainda prevalece o velho ditado de que “uns são mais iguais do que os outros”?

A política de dois pesos e duas medidas é a verdadeira ameaça à democracia.
Não há como negar que a promiscuidade entre poder e impunidade tem corrompido as bases da justiça no país. Quando Rui Falcão ofende o Presidente e, em vez de ser reprimido, é promovido, a mensagem que fica é clara: em Angola, a lealdade e a proximidade com o poder podem ser mais valiosas do que a moral ou o respeito pelas instituições. A justiça, em vez de ser cega, parece estar constantemente a olhar para o lado.

O que é mais grave? O fato de Rui Falcão ter ofendido o Presidente ou o fato de não haver qualquer tipo de repercussão sobre esse ato? O fato de ele ter sido premiado com uma promoção diz muito sobre as prioridades de um governo que, em teoria, deveria ser transparente e justo.

Quem ofende e é protegido é o reflexo de um sistema que não funciona.
Enquanto o cidadão comum luta por seus direitos, pelo mínimo de justiça e igualdade, os poderosos, aqueles que estão no topo, continuam a jogar com as regras do sistema. A verdade é simples: se você está alinhado com o poder, nada é impossível — e as leis, bem, essas podem ser interpretadas conforme a necessidade do momento.

E o mais perplexo: as vozes dissidentes, aquelas que criticam ou desafiam o sistema, continuam a ser silenciadas. A violência contra aqueles que ousam questionar é uma constante. Mas, se você está dentro do círculo de proteção, pode fazer o que bem entender, sem medo de represálias.

A democracia, em Angola, é apenas uma fachada.
A realidade é que, para muitos, a democracia e a justiça em Angola não são mais do que palavras vazias, usadas para agradar a plateias externas e justificar a continuação de um regime onde os “amigos” estão acima das leis, e os “inimigos” são esmagados sem piedade.

A pergunta que fica é: quem, de fato, governa Angola? São os que estão no poder, ou são aqueles que conseguem manipular o sistema a seu favor, sem qualquer preocupação com os cidadãos comuns?

A mentira é mais aceitável do que a verdade.
Em um país onde o favorecimento e a corrupção imperam, a realidade torna-se distorcida. As mentiras são tão amplamente aceites que se tornam a “verdade oficial”. A dualidade de critérios de Rui Falcão é apenas mais uma demonstração de como o sistema político angolano ainda não aprendeu a lição da justiça imparcial.

A regra é simples: em Angola, quem serve ao poder nunca será punido — mas quem ousar questioná-lo pagará o preço.
Está na hora de quebrar este ciclo vicioso. Está na hora de exigir um sistema onde todos, sem exceção, sejam tratados da mesma forma, com respeito e igualdade, independentemente do seu status ou proximidade com o poder.

Porque a justiça verdadeira só existe quando as regras são claras para todos — e não apenas para os protegidos. E enquanto a impunidade continuar a ser a norma, a democracia será uma ilusão.

Birmingham, 18 de março de 2025.

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