Classificar os angolanos na diáspora como “pobres que vivem debaixo da ponte” não é apenas um insulto — é a prova irrefutável de uma elite que perdeu o respeito, a noção e a vergonha. Quando uma Ministra da Educação se refere assim aos seus compatriotas, já não estamos perante uma simples falha de comunicação, mas diante de um colapso moral institucionalizado.
A pobreza não é uma escolha. A pobreza é uma imposição. Não é um estilo de vida — é uma condição de sobrevivência num país que nunca garantiu os direitos básicos aos seus cidadãos. A pobreza, senhora ministra, não é crime. Mas a ignorância arrogante no poder é um atentado contra a dignidade nacional.
Infelizmente, em Angola, onde a mediocridade virou critério, a senhora é ministra.
O problema de Angola não é a pobreza do povo — é a pobreza da liderança. A senhora representa o fracasso de um sistema onde os cargos são ocupados por compadrio, não por mérito. Onde a bajulação é currículo. Onde quem pensa é descartado e quem obedece é promovido.
A pobreza que tanto despreza é consequência directa da incompetência institucionalizada que a senhora personifica. E se há algo mais grave do que um povo empobrecido, é um governo arrogante que despreza esse povo.
Há pobres que brilham com ideias.
Há pobres que educam com o exemplo.
Há pobres que não precisam de títulos para ensinar ética, humanidade e coragem.
E há ricos como a senhora, cuja maior miséria está na cabeça.
A vergonha não é viver com pouco. A vergonha é usar o poder para humilhar quem já carrega demasiado nas costas. A vergonha é um Ministro da Educação com um discurso que embaraça até a própria língua portuguesa.
A ministra de Angola, em vez de educar, resolveu insultar. Em vez de instruir, optou pela provocação. A impunidade e a mediocridade viraram currículo, e a senhora ministra revelou isso com cada palavra que proferiu. É preciso dizer sem rodeios: ter um cargo não é prova de competência — é, muitas vezes, apenas sinal de amizade com o poder.
Se duvida, deixo-lhe um desafio público: venha fazer uma entrevista de emprego aqui no Reino Unido.
Com o seu discurso, a sua postura e o seu currículo, provavelmente não passaria nem para professora do ensino primário. Porque aqui, ministra, a competência não se mede por relações, mas por resultados. Aqui, a inteligência tem de ser provada — não basta ser proclamada em conferências com microfones cúmplices.
Não ofenda os pobres.
Porque há pobres com valores, com integridade e com uma inteligência que nenhuma cadeira ministerial consegue comprar. Há pobres que estudam à luz de velas — e ainda assim pensam melhor do que muitos governantes à luz dos holofotes.
A pobreza não é uma escolha.
É uma sentença assinada por governos que falharam.
Por políticas que excluem.
Por elites que mamam tudo e nem migalhas deixam para o povo.
Mais vale viver debaixo da ponte e manter a dignidade do que viver numa mansão sustentada pela miséria alheia. A senhora não representa a Educação — representa a falência de um país que já não sabe distinguir autoridade de prepotência, nem inteligência de arrogância.
Desejo-lhe sorte, senhora ministra. Mas se alguma vez vier ao Reino Unido à procura de trabalho, traga currículo — e prepare-se para ser avaliada.
Aqui, a educação não insulta. Ensina.
Aqui, a pobreza não é crime. Mas a incompetência, sim, tem consequências.
Birmingham, 18 de março de 2025.
Malundo Kudiqueba
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