Se até a filha de Jonas Savimbi já não se sente em casa na UNITA, então quem se sentirá? Esta saída deve servir de alerta. Não apenas para os militantes, mas para o povo angolano. Porque um partido que não respeita os seus próprios filhos, não pode respeitar o povo que diz querer libertar. O que está a acontecer na UNITA é mais do que uma crise interna. É a falência de um projeto político que, sem Jonas Savimbi, parece ter ficado à deriva, entregue a egos, jogos de poder e vaidades.
A política angolana acaba de assistir a um acontecimento simbólico e explosivo: Ginga Savimbi, filha do fundador da UNITA, Jonas Savimbi, acaba de abandonar o partido e entregou toda a sua documentação. Um gesto que carrega um peso histórico e emocional impossível de ignorar.
Não se trata apenas de uma militante a sair. Trata-se do sangue da fundação da UNITA a virar as costas à sua própria casa, um gesto que revela uma crise interna profunda, abafada por discursos ensaiados e estratégias de marketing político mal disfarçadas.
A saída de Ginga Savimbi não é um capricho. É uma ruptura com um partido que parece ter perdido o norte e trocado os valores pela conveniência. A UNITA, outrora símbolo de resistência e liberdade, hoje parece prisioneira de uma liderança cada vez mais autoritária, arrogante e cercada de activistas de ataque ao serviço do presidente Adalberto Costa Júnior.
Ginga não saiu em silêncio. Saiu com dignidade. Saiu porque não se revê numa UNITA onde o culto da personalidade substituiu o debate de ideias, onde quem pensa diferente é perseguido nas redes sociais, caluniado em privado e silenciado em público. Saiu porque os filhos da casa de Jonas não são bem-vindos num partido que parece querer apagar a memória do próprio fundador em nome de uma nova narrativa.
A UNITA perde. E perde muito.
Perde uma figura que, goste-se ou não, carrega consigo a herança, o nome e a memória viva do homem que fundou o partido. Perde uma ponte entre o passado e o futuro. Perde legitimidade moral e histórica. E mais: perde o respeito de muitos que acreditavam que ainda havia espaço para pluralidade e lealdade dentro do partido do Galo Negro.
Adalberto da Costa Júnior não ganha com isto. Pelo contrário. O líder da UNITA herda um problema maior do que aquele que tenta esconder. A saída de Ginga não facilita a sua vida. Complica-a. Porque ela pode ter saído do partido, mas não saiu da história. E a história, como sabemos, tem uma forma impiedosa de cobrar as traições e os desvios.
Ver a entrevista completa na Mwangolé TV – Master Ngola Vunge.
Manchester, 16 de março de 2025.
Malundo Kudiqueba.
Este post já foi lido 2036 vezes.
