PROTAGONISTA DA SEMANA: HIGINO CARNEIRO

Image
Image

Higino Carneiro não é um civil qualquer a fazer política de palanque. É um general, um homem que vestiu a farda das Forças Armadas, que jurou defender a soberania nacional, proteger o povo e garantir a integridade da pátria. Um militar de alta patente não pode, em circunstância alguma, colocar um partido político acima do país. O seu compromisso deve ser com a bandeira nacional, e não com o emblema do seu partido.

Não sou militar, mas sei o suficiente para entender o que significa o juramento que um soldado faz ao defender a bandeira de seu país. Quando se alista nas forças armadas, o compromisso do militar não é com um partido político, nem com ideologias partidárias. O juramento é claro: é um compromisso com a pátria, com a sua soberania, com a sua integridade e com o bem-estar do povo. Isso é algo que deveria ser inegociável, algo que ninguém, especialmente um militar de alta patente como o general Higino Carneiro, deveria esquecer. Mas ele esqueceu. E é aqui que reside o erro: a declaração de que o seu único amor é o MPLA, ignorando completamente a nação angolana, não pode ser tratada como uma simples opinião.

Essa declaração de amor incondicional ao partido tem um peso diferente quando vem de um militar. Não é aceitável, nem razoável, que um oficial de tão alta patente, que deveria ser um símbolo de unidade nacional e de lealdade à pátria, reduza o seu compromisso à fidelidade a um partido político. Angola, o país que deveria estar acima de qualquer facção, foi completamente ignorado nas suas palavras. O general Higino Carneiro, como tantos outros, deveria entender que a sua lealdade não deve ser ao MPLA, nem a qualquer outro partido, mas ao país que jurou defender. A sua missão, a missão de qualquer militar, é proteger a soberania de Angola, não a de um grupo político específico. Os militares devem ser apartidários. Não podem e não devem vestir a camisa de um partido político. O seu compromisso tem de ser com a Constituição, com o povo e com a independência do país.

Em muitas democracias, a figura do general está intrinsecamente ligada à defesa da soberania nacional, e, por isso, a sua fidelidade ao país é indiscutível. A missão do exército é garantir a segurança e a ordem pública, proteger os cidadãos e manter a integridade do território nacional. Um general, ao assumir um cargo de liderança, deve ser visto como um guardião imparcial, cuja lealdade deve transcender as divisões partidárias, uma vez que a sua função é acima de qualquer política momentânea.

A grande questão é a legitimidade dessa lealdade. Quando o amor ao partido supera o compromisso com a nação, cria-se um ambiente de risco para a estabilidade e a paz. Em democracias verdadeiras, o general deve ser uma figura de neutralidade, com a responsabilidade de garantir que a política de segurança e defesa do país se baseie na objetividade e no interesse geral. Quando essa figura se torna uma peça-chave no tabuleiro político, a sua capacidade de decisão pode ser distorcida pela lealdade a um partido, comprometendo a sua função essencial de servir a todos os cidadãos, independentemente de suas filiações partidárias.

Portanto, a lealdade de um general a um partido, em detrimento do país, não é legítima quando consideramos a sua função principal: a proteção e a defesa da nação como um todo, sem qualquer tipo de favorecimento. A verdadeira lealdade de um militar deve ser com a pátria, sendo esta a base sobre a qual todas as suas decisões devem ser orientadas. Quando essa balança se inclina para o lado do partido, perde-se a noção de serviço à nação e compromete-se a confiança pública na instituição militar, o que pode ter repercussões graves para a democracia e a estabilidade do país.

Malundo Kudiqueba

Birmingham, 09 de Março de 2025.

Este post já foi lido 1259 vezes.

Ajude a divulgar o Fama e Poder - Partilhe este artigo

Related posts

Leave a Comment