Episódio 1: A Reunião Secreta do Parlamento Fantasma
Na sala mais luxuosa e menos usada do Palácio da Nação, decorada com cadeiras de veludo e ar-condicionado tão potente que congela qualquer ideia nova, reúnem-se os três fundadores do Parlamento Fantasma:
- Deputado Mbundu da Silva (Angola) – mestre em inaugurações simbólicas e ausências justificadas.
- Dr. Lopes Cardoso (Portugal) – campeão nacional de discursos vazios com palavras complexas.
- Senador Zé Promessa (Brasil) – especialista em comícios emocionais e desaparecimentos pós-eleitorais.
A cena começa com Mbundu a reclamar:
— “Camaradas, isto de trabalhar é coisa do passado. O povo quer é selfie e wi-fi!”
Dr. Lopes Cardoso, ajeitando a gravata:
— “Trabalho é relativo, meu caro. O que importa é parecer que se trabalha. Aliás, ontem dei uma entrevista sobre um estudo que ainda vou encomendar.”
Zé Promessa, com um sorriso de quem já enganou até o GPS:
— “Aqui no Brasil, eu resolvo tudo com música sertaneja, uma caravana no interior e três churrascos por semana. O povo esquece tudo quando tem picanha!”
Um assessor entra com pressa:
— “Senhores deputados, a imprensa quer saber onde estão os projectos que prometeram.”
Os três olham uns para os outros. Mbundu responde, com serenidade:
— “Diga que estamos a trabalhar num documento estruturante de reavaliação transversal dos indicadores.”
Dr. Lopes concorda:
— “Excelente. E acrescenta que estamos a promover um diálogo multilateral para uma solução holística.”
Zé Promessa finaliza:
— “E no Brasil a gente só diz: ‘Calma, meu povo! Tá tudo sob controle de Deus.’ Funciona sempre!”
Moral do episódio:
O Parlamento Fantasma não legisla. Ele encena. E o povo, coitado, paga bilhete, paga impostos e ainda leva com o teatro todo.
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