A Democracia dos Bastidores: Como as Eleições Servem para Legitimar o que Já Está Decidido

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A oposição tenta gritar, mas o microfone tem sempre interferências. E quando finalmente chega aos ouvidos do povo, já é tarde. O sistema tem um plano B, C, D… e todos terminam com os mesmos nomes nos cargos e os mesmos discursos a repetir que “o povo escolheu”.
Escolheu o quê? A miséria menos dolorosa? O compadre mais simpático? Ou apenas o menos corrupto dos corruptos?

Enquanto isso, os verdadeiros acordos são feitos nos jantares de luxo, nos telefonemas cifrados, nas reuniões privadas em Lisboa ou Joanesburgo. O povo só vê a parte iluminada do palco. O poder real vive no escuro, bem protegido e longe das urnas.

E quando o povo se revolta? Calma, há sempre um novo discurso bonito, uma nova promessa, e mais um canal de TV a distrair com novelas mexicanas. Porque em Angola, a estabilidade é o nome bonito dado ao medo de mudar.

Mas a verdade é esta: sem povo atento, não há democracia — há só aparência. E os bastidores continuarão a mandar no palco enquanto a plateia bater palmas para não parecer que está a dormir.

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