Antigamente, a burrice era solitária. Cada um tinha direito à sua ignorância, mas em silêncio, com alguma vergonha. Hoje, ela organiza-se, forma comissões, cria hashtags, ganha eleições e até distribui cargos.
A burrice deixou de ser um defeito e virou ideologia.
Já não é falta de saber — é opção.
Não é inocência — é estratégia.

Os líderes deste novo “partido” não querem soluções, querem aplausos. Não querem especialistas, querem seguidores. Não querem verdades complicadas, querem mentiras simples e virais. E pior: têm medo do pensamento como o diabo tem da cruz.
Criaram uma sociedade onde quem estuda é “elitista”, quem lê é “chato”, quem duvida é “desleal”. A burrice, por outro lado, desfila de peito feito: aparece em debates, escreve editoriais, gere ministérios. Sim, ministérios! Já vimos ignorantes em todos os sectores — só ainda não vimos um Ministério da Inteligência porque seria considerado ofensivo.
O lema desta gente é claro:
“Se é complexo, rejeita. Se é novo, ridiculariza. Se é verdadeiro, distorce.”
Mas atenção: burrice não é ausência de diplomas — é ausência de humildade intelectual. É quando alguém prefere parecer sábio do que ouvir. É quando se ataca quem pensa, em vez de pensar também.
E assim vamos andando, governados não por ideias, mas por frases feitas. Não por planos, mas por likes. A burrice é o novo populismo: fácil de vender, difícil de curar.
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