O que se passou no estúdio da Rádio FM foi, no mínimo, vergonhoso. Um ataque gratuito, público e humilhante ao jornalista Carlos Rosado, perpetrado por quem, ironicamente, deveria moderar e não incendiar. Alves Fernandes, num momento que ficará marcado pela intolerância e pelo autoritarismo, desferiu um verdadeiro “correctivo verbal” ao vivo, diante de ouvintes que, incrédulos, ouviram frases como: “A porta é a serventia da casa”, “Quem manda aqui sou eu”, “Não te admito!” — numa demonstração clara de poder mal exercido e desrespeito absoluto.
Malundo Kudiqueba
Carlos Rosado, com a calma dos grandes e a elegância dos que não se rebaixam à selvajaria verbal, aguentou estoicamente os gritos histéricos de Alves Fernandes. Em nenhum momento perdeu a compostura. Em nenhum instante se deixou levar pela provocação.Mas há momentos na vida em que o silêncio também é uma forma de resistência. E talvez este seja o momento de Carlos Rosado se afastar desse espaço. Porque não se permanece onde se é maltratado. Porque quem contribui com qualidade e seriedade merece respeito, não humilhação. Carlos Rosado é, sem dúvida, um valor acrescentado ao programa, muitas vezes preenchendo o vazio de audiência com inteligência e conteúdo.
O que aconteceu no programa não é um episódio menor. É um retrato da cultura de egos inflamados e da falta de profissionalismo que ainda persiste em certos meios. Um moderador que insulta e grita não modera — impõe. E onde há imposição, o debate morre. A redação do Fama e Poder vem por este meio prestar a sua solidariedade a Carlos Rosado. A sua dignidade falou mais alto que os gritos. E a sua saída, caso se confirme, será mais uma prova de que há quem saiba quando é a altura de sair, enquanto outros ainda não perceberam que já passaram do prazo.
O clima vivido no estúdio foi de tensão total. Mas, enquanto um gritava em desespero de causa, o outro manteve-se firme, sereno e superior. Carlos Rosado respondeu com classe. E quando a dignidade cala o ruído, o público percebe quem, de facto, tem razão. Este tipo de comportamento, por parte de quem lidera um programa, não pode passar impune. Não se trata apenas de uma desavença pessoal. Trata-se de um atentado à liberdade de expressão, ao respeito entre colegas e à qualidade do espaço mediático angolano, já por si fragilizado. Porque onde o grito se sobrepõe ao argumento, perde-se o jornalismo e ganha o espectáculo barato.
Manchester, 04 de Março de 2025.
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